Coletânea de Noticias - Janeiro de 2025.
Coletânea de Noticias - Janeiro de 2025
Índice:
1. Banco de Portugal Alerta para Desafios Externos e Internos.
2. Certificados de Aforro: Novas Regras; Menos Atratividade?
3. Banco de Portugal Revisa em Baixa Crescimento Económico para o ano 2025 e para o próximo.
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1. Banco de Portugal Alerta para Desafios Externos e Internos.
Em outubro de 2024, o Banco de Portugal atualizou as suas projeções económicas, ajustando-as às dinâmicas internas e externas que influenciam a economia nacional. As estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2024 foram revistas em baixa, de 2,0% para 1,6%, e para 2025, de 2,3% para 2,1%. Este ajuste deveu-se, em parte, à inclusão de novas séries estatísticas que levaram o Instituto Nacional de Estatística (INE) a rever as contas nacionais. O terceiro trimestre de 2024 foi marcado por uma desaceleração das exportações e do consumo privado, resultando num período de menor dinamismo económico. No entanto, o Banco de Portugal projeta uma recuperação no quarto trimestre e no início de 2025, impulsionada pela retoma das exportações e pelo aumento do consumo privado.
Em dezembro de 2024, o banco central atualizou novamente as suas previsões, elevando ligeiramente o crescimento do PIB para 2024, de 1,6% para 1,7%, e para 2025, de 2,1% para 2,2%. Esta revisão em alta foi sustentada por expectativas de melhoria das condições financeiras, aceleração da procura externa e maior entrada de fundos da União Europeia. Mário Centeno, governador do Banco de Portugal, destacou que o dinamismo projetado para os próximos dois anos reflete um enquadramento mais favorável, embora tenha alertado para a existência de riscos significativos. Estes incluem choques geopolíticos, desaceleração económica na área do euro, particularmente na Alemanha, e tensões comerciais globais, que podem impactar negativamente a economia portuguesa.
O Banco de Portugal também apontou preocupações quanto à despesa pública, que cresceu 10,8% em 2024, superando o crescimento potencial do PIB em termos nominais, estimado em 7,4%. Este desvio excede os referenciais europeus, que permitem um aumento anual máximo de 0,3 pontos percentuais no crescimento da despesa líquida, e coloca o país em risco de incumprir as novas regras orçamentais da União Europeia. O banco alertou para a necessidade de medidas de contenção de despesas ou aumento de receitas para alinhar as finanças públicas com os requisitos europeus e garantir a sustentabilidade orçamental a longo prazo.
Em termos de inflação, o Banco de Portugal prevê uma descida para 2,6% em 2024 e estabilização em torno de 2% nos anos seguintes, alinhando-se com o objetivo de estabilidade de preços definido pelo Banco Central Europeu. Apesar desta perspetiva otimista, o banco reconhece que uma desaceleração mais acentuada na área do euro ou outros choques externos podem comprometer a recuperação económica e afetar as projeções. A resiliência da economia portuguesa dependerá da capacidade de adaptação a estes desafios.
O Ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, expressou confiança no desempenho económico do país, sublinhando que indicadores provisórios apontam para uma aceleração significativa da atividade no quarto trimestre de 2024. Segundo o ministro, os números deste período foram “significativamente bons”, com sinais de crescimento tanto no consumo privado como no indicador compósito. Estes resultados reforçam a previsão de um crescimento de 2,1% em 2025, refletindo uma recuperação económica gradual. Apesar da “enorme incerteza internacional” mencionada por Miranda Sarmento, o governo acredita que 2025 será um ano positivo para a economia, desde que o contexto global não sofra alterações significativas.
O governo também reafirmou a expectativa de alcançar um excedente orçamental em 2025, depois de registar um superávit de 0,4% do PIB em 2024. No entanto, o Banco de Portugal apresenta uma visão mais cautelosa, prevendo um pequeno défice de 0,1% em 2025, resultado de medidas permanentes adotadas pelo governo que impactam tanto a despesa pública como a receita fiscal.
Os dados definitivos do desempenho económico no quarto trimestre de 2024 serão divulgados pelo INE a 30 de janeiro. No terceiro trimestre, o PIB cresceu 0,2% em relação ao segundo trimestre e 1,9% em termos homólogos. Este ritmo moderado de crescimento reforça a necessidade de acompanhar de perto os desenvolvimentos económicos internos e externos. Assim, a recuperação da economia portuguesa permanece dependente de políticas prudentes, da sustentabilidade das finanças públicas e da capacidade de responder a potenciais adversidades internacionais.
Redator: Diogo Gonçalves.
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2. Certificados de Aforro:
Novas Regras; Menos Atratividade?
Os
Certificados de Aforro têm sido, ao longo dos anos, um dos produtos preferidos
pelos portugueses para guardar as suas poupanças de forma segura e rentável. No
entanto, nos últimos meses, têm perdido alguma popularidade, e isso deve-se, em
grande parte, às mudanças nas suas condições.
Até
há pouco tempo, os Certificados de Aforro tinham taxas de juro bastante
atrativas, sobretudo por estarem ligadas à Euribor, um índice que subiu muito
com a inflação. Para muitos, isto foi uma oportunidade de fazer crescer as
poupanças num momento em que os preços subiam e as opções bancárias eram pouco
interessantes. No entanto, essa situação começou a mudar em 2023.
O
Governo decidiu baixar o limite máximo da taxa de juro da atual Série E para
2,5%, uma alteração que não agradou os investidores. Com essa mudança, o
rendimento dos Certificados deixou de acompanhar a Euribor, tornando-os menos
vantajosos. Esta decisão foi tomada para aliviar os custos do Estado, mas
acabou por afastar muitos pequenos investidores.
Por
outro lado, o limite máximo de subscrição por pessoa foi duplicado, passando de
50 mil euros para 100 mil euros. Ainda assim, esta medida não parece ter sido
suficiente para travar a queda na procura. Com juros menos atrativos, muitos
preferem agora explorar alternativas, como depósitos a prazo ou outras formas
de investimento no mercado financeiro.
Os
dados mostram que, em 2023, as subscrições de Certificados de Aforro começaram
em alta, com 7.543,6 milhões de euros aplicados no primeiro trimestre, quase
igualando o total de 2022. Contudo, após a introdução da Série F em junho, com
condições menos atrativas, verificou-se uma diminuição acentuada na procura. Em
julho de 2024, o total investido era de 33,9 mil milhões de euros,
representando uma desaceleração clara no crescimento das subscrições. Este
cenário levanta questões sobre o futuro dos Certificados de Aforro, que sempre
foram uma escolha de confiança para muitos portugueses.
Com a economia a dar sinais de abrandamento e a inflação a estabilizar, o desafio para o Governo será manter este produto interessante para os aforradores, sem comprometer a estratégia de gestão da dívida pública. Por enquanto, os Certificados de Aforro parecem estar num ponto de viragem, com muitos a ponderar novas formas de fazer crescer as suas poupanças
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3. Banco de Portugal Revisa em Baixa Crescimento Económico para o ano 2025 e para o próximo.
O Banco de Portugal (BdP) atualizou recentemente as suas projeções económicas para 2025, reduzindo a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 1,6%, abaixo dos 2% previamente previstos. A decisão reflete um cenário económico mais desafiador, com impacto direto em diversos setores da economia portuguesa.
A desaceleração económica no terceiro trimestre de 2023 foi um dos fatores determinantes para esta revisão. De acordo com o BdP, o crescimento das exportações, que tem sido um dos pilares da recuperação económica após a pandemia, desacelerou devido à procura externa mais fraca, particularmente de mercados-chave na Europa, como Alemanha e França. Além disso, o consumo privado, historicamente responsável por cerca de 65% do PIB português, também registou uma quebra, resultado do impacto contínuo da inflação nos rendimentos das famílias.
Outro elemento relevante foi o aumento das taxas de juro por parte do Banco Central Europeu (BCE). Esta medida, adotada para combater a inflação na zona euro, tornou os empréstimos mais caros, dificultando o acesso ao crédito por parte das empresas e das famílias. Como consequência, observou-se uma redução significativa no investimento privado, um indicador crucial para o crescimento económico de médio e longo prazo.
A desaceleração económica tem gerado impactos distintos nos diversos setores. As empresas exportadoras enfrentam desafios adicionais, como o aumento dos custos de produção, especialmente nos setores de energia e logística. Já o comércio interno, dependente do consumo privado, tem assistido a uma redução na procura por bens não essenciais.
Para as famílias, a conjugação de preços elevados e o aumento das prestações de crédito tem levado a uma diminuição no poder de compra. Muitos lares encontram-se numa situação financeira mais vulnerável, obrigados a priorizar despesas básicas, como alimentação e habitação, em detrimento de bens duráveis ou lazer.
Projeções para 2025: Otimismo Cauteloso
Apesar das dificuldades, o BdP mantém uma perspetiva otimista para 2025, com o crescimento económico estimado em 2,1%. Este cenário baseia-se em pressupostos de estabilização dos preços da energia, recuperação gradual da confiança dos consumidores e empresas, e uma eventual flexibilização na política monetária do BCE.
Contudo, este otimismo está longe de ser garantido. Persistem incertezas relacionadas com a instabilidade geopolítica global, os impactos das alterações climáticas na produção agrícola, e a capacidade de Portugal em responder aos desafios estruturais, como a baixa produtividade e o elevado nível de endividamento público.
- Diversificação económica: Reduzir a dependência de setores vulneráveis, como o turismo, através de investimentos em indústrias tecnológicas e energias renováveis.
- Reforço do apoio às PME: Facilitar o acesso ao financiamento e promover a inovação nestas empresas, que representam a maior parte do tecido empresarial português.
- Formação e qualificação da força de trabalho: Melhorar a produtividade, promovendo a transição digital e a capacitação dos trabalhadores.
Deste modo, estabelecemos que a revisão em baixa do BdP é um alerta sobre os desafios que a economia portuguesa enfrenta num contexto global incerto. Mais do que nunca, é crucial que se implementem reformas estruturais que garantam a resiliência da economia e assegurem um crescimento sustentável, beneficiando desta forma tanto as empresas como as famílias.

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