O panorama económico português –
Impostos.
1.
Introdução
O presente
artigo tem como objetivo o estudo da crença popular que, em Portugal, a carga
fiscal é das mais elevadas da Europa. Não tem como propósito ser uma investigação ou densificação
teórica sobre os impostos.
Ainda assim, vale referir que os
Impostos são vistos como um mecanismo de transformação social. A doutrina
maioritária defende estes, como o grande instrumento de financiamento estatal e
de redistribuição. Existe também quem advogue a sua redução máxima e a
diminuição do seu papel fundamental nas economias modernas.
Dada a importância
deste tema vamos aprofundar nos dados e perceber, qual o peso da atual carga
fiscal portuguesa.
2. A carga fiscal:
hoje e no passado.
Costuma-se dizer que os impostos
em Portugal são altos, aliás dos mais altos na Europa. Agora, será que Portugal
é mesmo dos países com maior carga fiscal da União Europeia?
Segundo os dados de 2020 do Eurostat, Portugal cifra-se
abaixo da média europeia em termos de carga fiscal. O nosso país estava a meio
da tabela, entre os 27 Estados Membros, com uma carga fiscal de 37,6% do PIB,
abaixo da média comunitária (41,3%), num ranking liderado pela DK Dinamarca
(47,6%).[1]
Quando se fala em carga fiscal e a potencialização da
arrecadação de fundos através de impostos, podemos utilizar a conhecida Curva
de Laffer [2]. Já alguns estudos
foram feitos para determinar o local que o nosso país ocupa na Curva de
Laffer.
No estudo de Diogo Ricardo Reis Azevedo é feito menção
a esta temática, concluindo-se que “A taxa de imposto sobre o trabalho que está
no pico da curva de Laffer e por sua vez maximiza as receitas de impostos,
neste modelo, é de 39%. Então, Portugal está à esquerda do pico da curva de
Laffer, pelo que seria possível obter uma maior receita aumentando a taxa de
imposto sobre o trabalho para os 39%. Porém, em termos de receita, Portugal não
está muito longe do máximo, pois a diferença do ponto máximo da curva para a
situação base (…) não é muito significativa. De facto, esta diferença é apenas
de 3,7%, o que significa que Portugal poderia aumentar a sua receita nesse
valor, subindo a taxa de imposto do trabalho dos 28% para os 39%, mantendo
todas as restantes variáveis exógenas constantes.”[3]
Ou seja, do ponto de vista da
maximização da receita do Estado, existia espaço para subir os impostos sobre o
rendimento. Isto não significa, no entanto, que fazê-lo fosse o melhor para a
economia do país, mas que ainda é possível aumentar a receita do Estado através
da subida dos impostos sobre o trabalho.
Mas e quanto ao esforço
fiscal? Vários especialistas utilizam o índice de Bird para
calcularem este esforço.
O índice de Bird, (1964)
vem “no sentido de dar robustez ao índice de Frank”. Bird propõe uma variação ao índice de Frank. O “índice de Bird
define a carga fiscal em função do PNB[4] deduzido da receita fiscal, ou seja,
considerando o rendimento disponível, diferindo assim do índice de Frank.”[5].
De realçar que o Produto Nacional Produto (PNB) considera todos os bens e
serviços produzidos pelos cidadãos, não importando onde ocorra a produção. Note-se
que vale destacar a palavra “Nacional”, ou seja, tudo o que é produzido interna
e externamente que seja de origem daquele país.
Em análise, utilizando este
método, “usando valores em paridade de poderes de compra (para refletir as
diferenças de custo de vida entre os países) e o rendimento nacional bruto (que
contempla apenas a riqueza gerada que fica em território nacional). Portugal é,
então, o 6.º país na UE onde o esforço fiscal dos contribuintes é maior.
Considerando o índice do esforço fiscal médio na UE como 100, 🇵🇹
Portugal está acima, com 116,6, e apenas é ultrapassado pela 🇬🇷
Grécia (163,0), 🇵🇱 Polónia (129,3), 🇭🇷 Croácia
(124,4), 🇧🇬 Bulgária (119,6) e 🇭🇺 Hungria
(118,9).”[6]
Podemos ainda questionar, qual a
tendência que houve nos últimos anos a nível da carga fiscal, na União Europeia
e mais especificamente em Portugal? Segundo João
Simões de Almeida “Os índices foram calculados anualmente para os países
da União Europeia no período de 1998-2016 e verifica-se uma tendência de
diminuição e convergência do esforço fiscal (Gráficos 5 e 6), tal como sugerem Rivero, Galindo
e Meseguer (2001). Note-se que,
apesar do esforço fiscal em média na UE ter diminuído consideravelmente entre
1998 e 2016, os índices de Bird e de Frank revelam que, em 2009 e
2012, houve um ligeiro aumento face ao ano anterior.”[7].
E em Portugal, mais
especificamente?
Em artigo publicado por Joaquim Miranda Sarmento e Carolina Gomes, analisaram a evolução da
carga e do esforço fiscal em Portugal, entre 1974 e 2011. “Em 1974 a carga
fiscal rondava os 20% do PIB, em 2011 atinge um valor em torno dos 35%. Temos
assim, que no espaço de 35 anos, a carga fiscal subiu 15 p.p. (ou seja, mais
75%). A tendência tem sido sempre de uma subida deste indicador, (…)”[8]
Como
vimos, a carga fiscal é elevada e, acima de tudo, o peso desta na carteira dos
contribuintes não passa despercebida. É claro que, neste âmbito, rapidamente
entramos numa discussão mais ideológica sobre a posição e dimensão do Estado do
que propriamente técnica.
3. Conclusão.
O objetivo deste artigo era
refletir sobre a situação económica atual, mais especificamente a analise do
peso da tributação Portuguesa. Como vimos, a nível dos impostos diretos, procurámos
aferir se a carga fiscal em Portugal é tão elevada como é propalado. Recorrendo-nos,
num primeiro momento, à curva de Laffer, concluímos que Portugal está numa
posição anterior ao ponto de maximização da receita pública. Apurámos, de
seguida, a taxa de esforço da carga fiscal, evidenciando, a partir de alguns
indicadores, como os índices de Frank e de Bird, que a taxa de
esforço da carga fiscal, em Portugal, é maior do que a média da UE. Por fim, e
em jeito sumário, embora a curva de Laffer nos indique que ainda é
possível aumentar os impostos, estes já têm um peso significativo na população.
Bibliografia e Webgrafia.
Almeida, João,
A carga e o esforço fiscal na união europeia, Trabalho final de mestrado em
Ciências Empresariais - Repositório da Universidade de Lisboa, 2019.
Araújo,
Fernando. (2022). Introdução à Economia II, AAFDL Editora.
Azevedo, Diogo,
Curva de Laffer para Portugal: perspetiva de steady state, Trabalho
final de mestrado em Economia - Repositório da Universidade de Aveiro, 2014,
p.18.
Sarmento,
Joaquim M.; Gomes, Carolina, Crítica
ao Índice de Frank e de Bird: uma análise à carga e o esforço fiscal em
Portugal entre 1974 e 2011, STI Sociedade e Fiscalidade, 2014, p. 13.
The ECB’s
Governing Council considers that price stability is best maintained by aiming
for 2% over the medium term.” - Inflation and consumer prices, Banco Central
Europeu -Eurosistema https://www.ecb.europa.eu/stats/macroeconomic_and_sectoral/hicp/html/index.pt.html
Eurostat. https://www.euribor-rates.eu/pt/taxas-euribor-actuais/
Euro-rates
Portugal é o 6º país da União Europeia onde o Esforço Fiscal
é maior” - +Liberdade - https://maisliberdade.pt/maisfactos/portugal-e-o-6-pais-da-europa-onde-o-esforco-fiscal-e-maior/
Adérito José Teixeira da Silva de Azevedo Rafael.
Presidente do C.E.J-E.U.
[1] “Portugal é o 6º país da União Europeia onde o
Esforço Fiscal é maior” - +Liberdade -
https://maisliberdade.pt/maisfactos/portugal-e-o-6-pais-da-europa-onde-o-esforco-fiscal-e-maior/
[2] A curva de Laffer é uma teoria econômica que
foi desenvolvida pelo economista Arthur Laffer, esta teoria defende que a
partir de um certo ponto, por mais que se aumente a percentagem do imposto
haverá menos receita fiscal.
[3] Azevedo, Diogo (2014). “Curva de Laffer para
Portugal: perspetiva de steady state”, pag 18. – Trabalho final de mestrado em
Economia - Repositório da Universidade de Aveiro.
[4] PNB- Produto Nacional Bruto.
[5] Almeida, João (2019). “A CARGA E O ESFORÇO
FISCAL NA UNIÃO EUROPEIA”, pag 19. – Trabalho final de mestrado ciências
empresariais - Repositório da Universidade de Lisboa.
[6] “Portugal é o 6º país da União Europeia onde o Esforço Fiscal é
maior”- +Liberdade -
https://maisliberdade.pt/maisfactos/portugal-e-o-6-pais-da-europa-onde-o-esforco-fiscal-e-maior/
[7] Almeida, João (2019). “A CARGA E O ESFORÇO
FISCAL NA UNIÃO EUROPEIA”, pag 26. – Trabalho final de mestrado ciências
empresariais - Repositório da Universidade de Lisboa.
[8] SARMENTO, Joaquim M. & GOMES, Carolina
(2014). Crítica ao Índice de Frank e de Bird: uma análise à carga e o esforço
fiscal em Portugal entre 1974 e 2011. STI Sociedade e Fiscalidade, pp. 13.
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